Furia Em Duas Rodas | 2025-2027 |
Ela estranhou o aperto do abraço, mas retribuiu.
Bruno viu o pneu do Fiesta a trinta centímetros de sua canela. Viu o olho arregalado do motorista do ônibus atrás do para-brisa. Viu a própria mão no guidão – e notou que ela tremia. Não de medo. De vergonha. furia em duas rodas
Bruno colocou o capacete e, pela primeira vez, sentiu que a viseira não protegia seu rosto, mas sim o prendeu em uma máscara de silêncio. Deu partida. O motor rugiu, e a fúria, até então contida, subiu do tanque de combustível pelas mãos até a nuca. Ela estranhou o aperto do abraço, mas retribuiu
O carro vinha devagar na faixa da esquerda, indeciso, piscando a seta para a direita mas sem ir. Para Bruno, aquilo foi uma afronta. Indecisão era fraqueza. Fraqueza era o que ele sentia ao ouvir os áudios de Marina, ao ver a cara do chefe, ao não poder abraçar a mãe. Viu a própria mão no guidão – e notou que ela tremia
Acelerou fundo, jogou a moto para a contramão – havia um ônibus vindo. O farol do ônibus cresceu como um sol amarelo. O senhor do Fiesta, assustado com o clarão, puxou o volante para a esquerda sem querer. Exatamente para onde Bruno ia.